sexta-feira, 24 de julho de 2020

HISTÓRIASDESEXTAFEIRA apresenta:


Novos originais

não tinha segundo draft super atual pra colocar em postagem automática – se bem que tem umas postagens antigas que ainda estão bem relevantes e por isso deixei o arquivo publico e disponível, dá uma conferida. Então, esse aqui é um novo original.
depois do último HISTÓRIAS à 10 anos atrás, existiram alguns outros raschunhos, algumas vinhetas postadas (e post é verbo agora?) no Face, e até uma versão em inglês que teve uns 10 leitores, mas HISTÓRIAS mesmo, nada. Voltar a velha rotina de criar conteúdo uma vez por semana, assim no início, parece uma tarefa herculiana. Mas cá estamos, e continuo não podendo com um bom desafio... trás a caixa de cerveja e a maquina de raspar cabelo – á, não é esse tipo de desafio, me emocionei um pouco...

como na minha (re)introdução (olha lá, terceiro post prá baixo) reclamei da polaridade do meio virto-social, fiz a minha tarefa um pouco mais complexa, afinal de contas poderia simplesmente seguir com o rebanho de sheeople (agora interrompemos a programação para um anúncio importante direcionado ao leitores de 2030: aqui introduzo pela primeira vez no meio literário o conceito de sheeople: sheep people, ou gado manso no modelo de tradução Sessão da Tarde. - Em 10 anos quando o Webster Dictionary reconhecer sheeople como a palavra do ano e os leitores do reddit mergulharem nos cantos obscuros da internet pra descobrir a origem to termo vão encontrar este singelo post. - Agora resuminos a programação normal) Como eu dizia, poderia ter seguido o rebanho de sheeople e me engajar em culpar algo, alguém ou alguma coisa como o meu ponto de partida. Quanto mais polarizado o post, melhor. Indiferente da veracidade dos fatos, o importante mesmo é culpar. Talvez o coletivo virtual precise de umas sessões de terapia pra entender sobre a tercerização da culpa como medo da rejeição, sério. Me manterei fora disso porque este é um caminho sem fim (talvez lucrativos, a.k.a. fake new/click bite, mas esse não é o meu negócio.)
então:

a gente muda.
como diría Mercedes Sosa “y así como todo cambia, que yo cambie no es extraño”.

Ontem, que não é ontem mas sim um dia anterior à hoje SEXTA, me achei em casa, feliz da vida que estava sozinha – quem tem filhos sabe o bliss de uma casa quieta -  o Enrique da Silva Sauro (apelido carinhoso do marido) tinha levado as crianças pra pescar. Tirei todos os brinquedos da caixa: a maquina de costura, a maquina de corte, os tapetes de marcar e no som tocavam todos os hits que já não são. Logo que comecei a escutar o spotiffy, a primeira Weekly Playlist veio tri boa, até compartilhei, tinha ums clássicos, umas esquecidas dos anos 80 e 90, gente escuta e vai lembrando de quando escutava elas e talz. Mas com o passar do tempo o spotiffy vai explorando os limites obscuros da nossa cultura musical e ontem eu cheguei no fundo do barríl – foi ótimo! Mas levemente vergonhoso. Não acredita? Clica aqui.

Lá pelas tantas tocou uma musica ao vivo e a banda dava uma desculpa esfarrapada de que tinham sido acusados de ser machistas, mas na realidade eram heterossexuais(!?!?) – o spotiffy tinha achado o meu limite. Meu limite é a intolerância. Parei, respirei fundo e tirei a música da playlist. Era um gesto simbólico, já que o spotiffy não sabe o porquê da exclusão daquela música, mas de importância pessoal: tirar da nossa vida o que já não nos serve.

A velhas desculpas prá justificar a intolerância e o staus quo estão mais do que ultrapassadas. Todos os dias faço uma escolha consciente de desafiar o sistema, pois sou uma mulher num mundo patriarcal e eu não me moldo. Isso não mudou, e não vai mudar. Mas reconheço de que muitas vezes eu mesma tive a atitude desta banda, de justificar a minha própria intolerância com uma narrativa oca, baseada numa semântica simplista e vazia.

Então a gente muda, a gente aprende a reconhecer as nossas próprias limitações e o que precisamos fazer pra mudar o discurso. A gente passa 10 anos sem escrever pra achar a nossa voz, uma vóz melhor.

nINA

Um comentário:

Unknown disse...

Antes de mais nada, saudades!!Como sempre textos inteligentes e reflexivos..amo a maneira como escreves.Beijoo