Novos originais
não tinha segundo draft super atual pra colocar
em postagem automática – se bem que tem umas postagens antigas que ainda estão
bem relevantes e por isso deixei o arquivo publico e disponível, dá uma
conferida. Então, esse aqui é um novo original.
depois do último HISTÓRIAS à 10 anos atrás,
existiram alguns outros raschunhos, algumas vinhetas postadas (e post é verbo
agora?) no Face, e até uma versão em inglês que teve uns 10 leitores, mas
HISTÓRIAS mesmo, nada. Voltar a velha rotina de criar conteúdo uma vez por
semana, assim no início, parece uma tarefa herculiana. Mas cá estamos, e
continuo não podendo com um bom desafio... trás a caixa de cerveja e a maquina
de raspar cabelo – á, não é esse tipo de desafio, me emocionei um pouco...
como na minha (re)introdução (olha lá, terceiro
post prá baixo) reclamei da polaridade do meio virto-social, fiz a minha tarefa
um pouco mais complexa, afinal de contas poderia simplesmente seguir com o
rebanho de sheeople (agora interrompemos
a programação para um anúncio importante direcionado ao leitores de 2030: aqui
introduzo pela primeira vez no meio literário o conceito de sheeople: sheep
people, ou gado manso no modelo de tradução Sessão da Tarde. - Em 10 anos
quando o Webster Dictionary reconhecer sheeople como a palavra do ano e os
leitores do reddit mergulharem nos cantos obscuros da internet pra descobrir a
origem to termo vão encontrar este singelo post. - Agora resuminos a programação normal) Como eu dizia, poderia ter
seguido o rebanho de sheeople e me engajar em culpar algo, alguém ou alguma
coisa como o meu ponto de partida. Quanto mais polarizado o post, melhor. Indiferente
da veracidade dos fatos, o importante mesmo é culpar. Talvez o coletivo virtual
precise de umas sessões de terapia pra entender sobre a tercerização da culpa
como medo da rejeição, sério. Me manterei fora disso porque este é um caminho
sem fim (talvez lucrativos, a.k.a. fake new/click bite, mas esse não é o meu
negócio.)
então:
a gente muda.
como diría Mercedes Sosa “y así como todo
cambia, que yo cambie no es extraño”.
Ontem, que não é ontem mas sim um dia anterior
à hoje SEXTA, me achei em casa, feliz da vida que estava sozinha – quem tem
filhos sabe o bliss de uma casa quieta - o Enrique da Silva Sauro (apelido carinhoso do
marido) tinha levado as crianças pra pescar. Tirei todos os brinquedos da
caixa: a maquina de costura, a maquina de corte, os tapetes de marcar e no som
tocavam todos os hits que já não são. Logo que comecei a escutar o spotiffy, a
primeira Weekly Playlist veio tri boa, até compartilhei, tinha ums clássicos,
umas esquecidas dos anos 80 e 90, gente escuta e vai lembrando de quando
escutava elas e talz. Mas com o passar do tempo o spotiffy vai explorando os
limites obscuros da nossa cultura musical e ontem eu cheguei no fundo do barríl
– foi ótimo! Mas levemente vergonhoso. Não acredita? Clica
aqui.
Lá pelas tantas tocou uma musica ao vivo e a
banda dava uma desculpa esfarrapada de que tinham sido acusados de ser
machistas, mas na realidade eram heterossexuais(!?!?) – o spotiffy tinha achado
o meu limite. Meu limite é a intolerância. Parei, respirei fundo e tirei a música
da playlist. Era um gesto simbólico, já que o spotiffy não sabe o porquê da
exclusão daquela música, mas de importância pessoal: tirar da nossa vida o que
já não nos serve.
A velhas desculpas prá justificar a
intolerância e o staus quo estão mais do que ultrapassadas. Todos os dias faço
uma escolha consciente de desafiar o sistema, pois sou uma mulher num mundo
patriarcal e eu não me moldo. Isso não mudou, e não vai mudar. Mas reconheço de
que muitas vezes eu mesma tive a atitude desta banda, de justificar a minha
própria intolerância com uma narrativa oca, baseada numa semântica simplista e
vazia.
Então a gente muda, a gente aprende a
reconhecer as nossas próprias limitações e o que precisamos fazer pra mudar o
discurso. A gente passa 10 anos sem escrever pra achar a nossa voz, uma vóz
melhor.
nINA
Um comentário:
Antes de mais nada, saudades!!Como sempre textos inteligentes e reflexivos..amo a maneira como escreves.Beijoo
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